Pesquisar este blog

Total de visualizações de página

domingo, 6 de maio de 2012

E a raposa...

Há alguns dias um querido e eu discutíamos acerca de uma das frases mais conhecidas universalmente, extraída do Pequeno Príncipe: “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”. Algumas variações são encontradas em virtude de traduções e do telefone sem fio. No idioma original, Tu deviens responsable pour toujours de ce que tu as apprivoisé. Esta citação é talvez mais conhecida que My Way, uma das músicas mais cantadas em um sem número de idiomas.
Esta infeliz citação é, sem dúvida, o estopim do fracasso de vários relacionamentos modernos. Comecemos pelo “cativas”, do verbo “cativar”: em sentido figurado, significa obter a simpatia ou o amor de alguém, seduzir, encantar. O sentido literal do verbo, entretanto, é prender física ou moralmente alguém, guardar em seu poder. Em um relacionamento, ninguém deve cativar ninguém. “Cativar” me remente a manter em cativeiro, me dá a sensação de estar presa a uma história amorosa certamente fadada ao fracasso. Apprivoiser, na língua materna do livro, é sinônimo de domesticar, amansar. A frase foi dita por uma raposa para um menino! É um conto, ou pior, uma apologia à domesticação animal! Esse blablablá de autopiedade ignora o texto anterior; pouco antes, a raposa sabiamente diz (comecemos por aí, raposas falantes tornaram-se gurus da vida moderna): “Eu não tenho necessidade de ti e tu não tens necessidade de mim”. E depois de elocubrações, conclue que, se o menino cativar a raposa, será responsável por ela. Simples: dê a ela a liberdade que ela se vira sozinha; aprisione-a e será obrigado a cuidar dela pelo resto de sua vida. E a fulaninha ou o fulaninho vem e joga na sua cara : “você é responsável por tudo que cativas”. Maldito Exupery, quem é posto em cativeiro é aquele que escuta esta chantagem emocional. É o refrão do hino da dependência amorosa.
Antecede-se ainda o “cativas” pelo “responsável”: sou responsável pelos meus atos, pelos meus filhos menores (se tivesse), pelos animais os quais me comprometo a cuidar, por meus pais na velhice, pela minha imagem, pela minha consciência. Não sou responsável por quem me ama; sou companheira, cúmplice, amiga, amada, amante. Mas responsável, não. Esta transferência de responsabilidade é irritante: cuide da sua vida que eu cuido da minha, e certamente teremos mais chance de termos um relacionamento equilibrado. E se eu cuidar de mim serei livre, e desta forma, não terás me aprisionado. Estarei neste relacionamento porque quero, porque troco, porque contribuo e porque recebo, não para que minhas frustrações, erros e acertos sejam responsabilidade da minha cara-metade. Pensando bem...cara-metade? Não, quem está comigo agrega, adiciona, enriquece minha vida; não estou pela metade: eu sou completa.
Reescrevendo a frase do Pequeno Príncipe, teríamos algo como “você é meu escravo porque eu te amo”, ou “eu me apaixonei por você e por isso é obrigado a cuidar de mim”. Pior: “se eu for infeliz a culpa é sua”. Sem dúvida, quem claudica nessa muleta emocional precisa é de terapia, e alerto que o psicólogo também jamais será responsável por você. “Descative-se” e “responsabilize-se”. Sem dúvida você será muito mais feliz.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Covardia, violência e impunidade.


Hoje estou triste. Muito triste. Apesar da curiosidade, não tive coragem de ver o vídeo do yorkshire brutal e covardemente assassinado (sim, isto é um assassinato) por uma (PASMEM) profissional de saúde. E na frente de uma criança de cerca de dois anos de idade.
Cachorros arrastados.
Cachorros enterrados.
Cachorros mutilados.
Cachorros assassinados.
O pior é que isto sempre existiu. A diferença é que agora todo celular tem uma câmera que permite o registro fácil das imagens. Agora as redes sociais permitem a divulgação fácil das imagens.
A população está fechando o cerco contra os maus tratos aos animais. São necessárias mais leis que sejam cumpridas. Paralelo a isso, tem gente criticando a “lei do tapa”. Talvez se entenda que quem faz com um animal, também o faz com um idoso ou com uma criança. Porque nenhum deles tem capacidade ou coragem para reclamar.
O mundo está cheio de covardes.
Agressão física. Agressão moral. Agressão à natureza. Aos animais. Aos mais fracos.
Além de mim, claro, tem muita gente fazendo a sua parte, dando a sua mínima e valorosa contribuição para um mundo, melhor. Mas tem sido pouco. Esta senhora espancando um animal indefeso é o retrato do mundo em que estamos vivendo.
E, definitivamente, não gosto dele.